A revolução na alimentação fora do lar
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Na região Sudeste esse percentual chegou a 37,2% e ainda está fortemente concentrado nas classes A/B, que participam com estimados 67% do total do consumo fora do lar.
Do lado da demanda ocorreu uma mudança significativa da pirâmide social, com aumento expressivo do potencial de consumo das classes mais baixas e a consequente migração para segmentos mais altos, como resultado do aumento da renda real das famílias e do nível de emprego no período, em especial nesta última década.
Mas não foi só isso.
Do lado da oferta também têm ocorrido relevantes transformações, com ampliação das redes; consolidação do mercado; novas marcas, formatos e conceitos; e uma maior profissionalização e formalização envolvendo os operadores no setor, incluindo padarias, fast food, lojas de conveniência, supermercados, catering, restaurantes casuais e finos e outras operações menos estruturadas.
A transformação percebida despertou o interesse de fundos e empresas de venture capital, que têm feito investimentos no setor e contribuem ainda mais para o processo de expansão, profissionalização e consolidação, como foi o caso da Advent, adquirindo o conjunto de operações dos grupos Viena e RA.
Essa transformação liderada pelo consumidor tem precipitado mudanças significativas no mercado, com a expansão orgânica das redes e a diversificação de formatos e marcas, como é o caso do McDonald’s, Habib’s, BFFC (operadora das redes Bob’s, BExpress, Doggis e também franqueada da Pizza Hut e KFC) e do grupo controlador do Outback, que passou também a operar a Starbucks no Brasil.
Mas o processo é muito maior do que se enxerga com as marcas das principais redes, uma vez que 62% do total de estabelecimentos que operam nesse setor são de unidades com até quatro funcionários. O segmento inclui novos estabelecimentos sendo abertos; a significativa expansão das franquias na área; marcas e conceitos sendo lançados; o aperfeiçoamento dessa operação nas lojas de conveniência; a inclusão e ampliação desses negócios nos supermercados; o desenvolvimento integrado das redes de padarias; as novas operações de logística e abastecimento para o segmento; e o maior interesse dos atacadistas e operadores de conceitos híbridos de atacado e varejo, principal abastecedor dos transformadores menos estruturados.
Tudo isso desenha um cenário muito diferente, mais competitivo, estruturado, profissional, formal e estratégico, principalmente para os fornecedores de alimentos, bebidas e serviços nos próximos anos, que, adicionalmente, ainda terão todo o benefício dos megaeventos esportivos que acontecerão no Brasil nos próximos anos, como Jogos Mundiais Militares, Copa do Mundo e Olimpíadas.
Comparativamente, o segmento de alimentação fora do lar no Brasil ainda não é dos maiores. Nos Estados Unidos, o setor é 20 vezes maior; cinco vezes no caso da Inglaterra; e três vezes na França.
No mercado internacional, em especial nesses países mais maduros, porém, nos últimos anos a crise econômica e financeira reverteu a tendência anterior de crescimento da participação da alimentação fora do lar. No mercado americano, como exemplo, o percentual do consumo fora do lar nos alimentos em relação ao total chegou a 51% em 2006 e recuou para os atuais 48%. Mas existe a previsão de que, superada a fase mais aguda da crise, como começa a acontecer, esse percentual volte a crescer, por conta de transformações mais estruturais no comportamento dos consumidores.
Essas transformações envolvem o maior tempo dedicado a atividades fora do lar; a incessante busca por maior conveniência e facilidade para o consumidor moderno, que tem cada vez mais de tudo, com exceção do tempo; a maior participação da mulher no mercado de trabalho; e os novos hábitos que vão sendo incorporados também pela oferta de soluções em alimentação que sejam mais práticas, a custos mais competitivos.
Quando se somam a esses fatores as transformações econômicas e sociais do Brasil nesses últimos anos, não surpreende o crescente interesse que o setor tem despertado, não apenas nos operadores, fornecedores e em toda a cadeia de abastecimento já presente no país; mas também em grupos internacionais que têm acompanhado esse movimento e se mostram interessados em aproveitar a forte expansão que ocorreu e tenderá a se manter. O que contribuirá para acelerar ainda mais o processo de transformação estrutural e a representatividade do segmento na economia brasileira.
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