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Ainda jovem, setor de cafeterias tem fôlego para crescer
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Estimativa da Abic aponta que existem cerca de 3,5 mil cafeterias espalhadas pelo País. E há espaço no mercado para outras
O café é uma bebida consumida por 97% da população brasileira - em termos de penetração, só perde para a água. Nos últimos oito anos, o consumo do cafezinho fora de casa cresceu 307%, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic). Para o diretor-executivo da instituição, Nathan Herszkowicz, a bebida é uma das mais democráticas que existe, já que o preço da xícara varia de R$ 2,50 a R$ 3, em média. A junção do aumento do número de pessoas que fazem refeições fora de casa com o baixo custo do café faz com que abrir uma cafeteria seja uma oportunidade de negócio vislumbrada por muita gente.
Segundo Herszkowicz, a expansão do segmento está apenas no início. Por isso, existem pontos comerciais interessantes em todas as regiões do País. O formato das cafeterias também pode variar: desde o modelo restaurante - em que há mais opções no cardápio - até quiosques, em que o objetivo é que o tempo de permanência dos clientes seja menor. Outro aspecto interessante é a quantidade ainda pequena de espaços onde o café seja a bebida principal.
Estimativa da Abic aponta que existem cerca de 3,5 mil cafeterias espalhadas pelo País. Desse total, entre 1,2 mil e 1,3 mil são unidades de grandes redes. A maior parte pertence a empreendedores individuais. "Isso acontece porque o investimento para a abertura de uma cafeteria é relativamente pequeno, entre R$ 80 mil e R$ 100 mil", esclarece Herszkowicz.
O Starbucks, maior player mundial no segmento de cafés, ainda não é um concorrente de peso no Brasil, diz executivo. Atualmente, a rede - que não opera por meio de franquias - possui 32 unidades no País. O McCafé, do McDonald's, também não é um concorrente com volume significativo.
Mais do que apenas um lugar para tomar café, as cafeterias tornaram-se ambientes de convivência. Não é raro ver pequenas reuniões de negócios acontecerem nesses espaços. "Porém, o que ainda garante a fidelização do cliente é a qualidade do produto", afirma Herszkowicz. Por isso, o diretor recomenda a busca de conhecimento técnico para quem deseja empreender nessa área. Isso inclui saber quais são os tipos de grãos, os pontos de torra e o melhor jeito de tirar o café da máquina.
Feito isso, a dica é garantir que a cafeteria fique em um lugar de bom fluxo de pessoas. Depois, é preciso adaptar o negócio à realidade do local: perceber qual é o público principal do entorno e o tipo de uso que os clientes farão. Por exemplo, não vale a pena montar uma cafeteria-restaurante em uma rua cuja característica seja de fluxo intenso, mas passageiro.
Grão Espresso
Presente no mercado há dezesseis anos, a rede de cafeterias Grão Espresso possui unidades em 90% dos estados brasileiros. Nos últimos cinco anos, época de sua maior expansão, a franquia vem crescendo, em média, a um ritmo de 20 a 30 unidades por ano. Atualmente, entre lojas em atuação e outras em fase de implantação, a rede contabiliza 260 unidades. Em 2011, o faturamento foi de R$ 120 milhões. A meta para este ano é crescer 15%.
Breno Bromberg, gerente de expansão da rede, garante que as unidades não são "engessadas", apesar de o foco da franqueadora ser o de cafeterias em que o cliente não gasta muito tempo. Para atender desde a classe A até a D, a rede varia o mix de produtos, sem, no entanto, mexer no carro-chefe do negócio, o café gourmet - bebida extraída a partir de um grão mais sofisticado.
Dados da Abic mostram que o segmento de cafés finos e diferenciados, embora represente uma parcela pequena do consumo, tem apresentado taxas de crescimento de 15% a 20% ao ano.
Uma unidade do Grão Espresso no modelo de loja custa entre R$120 mil e R$ 180 mil. Já o formato quiosque, geralmente em shoppings ou pontos confinados, custa entre R$ 90 mil e R$ 120 mil.
Vanilla Caffé
Embora os alvos da cafeteria Vanilla Caffé sejam os públicos A e B, a rede tem olhado para a classe C. Prova disso, diz o gerente de expansão da franquia, Eduardo Pires, é que este ano a rede já começou o contato com shoppings populares. "O ramo está aquecido, sem previsão de estagnação. Há oportunidades de expansão em todas as praças", afirma Pires. A rede possui 20 unidades e quer chegar a 30 ainda em 2012.
Assim como o diretor-executivo da Abic, Pires também cita o fato de as pessoas fazerem refeições na rua com mais frequência como um dos impulsionadores do segmento de cafeterias. Além disso, fora de casa é possível encontrar um café mais sofisticado, que dá mais prazer ao consumidor. "Um número cada vez maior de pessoas valoriza isso", diz ele.
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