Trabalhadores poderão investir em microfranquia
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O Instituto Tomodati de Cooperação do Brasil lança, até o final do primeiro semestre de 2010, um projeto de microfranquias voltado principalmente para trabalhadores brasileiros que retornam do exterior.
O projeto vai apresentar modelos inovadores de negócios, que exijam o investimento inicial máximo de R$ 50 mil. Os recursos serão financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O presidente do instituto, Claudio Suzuki, afirma que a meta é capacitar 60 consultores especificamente para o projeto e atingir 45 franqueados em cinco anos. A princípio, podem participar empreendedores do Paraná e Mato Grosso do Sul. “As microfranquias são direcionadas não apenas aos descendentes de japoneses, mas a todos os brasileiros que retornam do exterior”, explica Suzuki.
No caso de Maringá, a maior parte do público deverá ser de dekasseguis – descendentes de japoneses que vão ao arquipélago nipônico em busca de emprego. De acordo com Suzuki, se antes da crise financeira mundial de 2008-2009 a média de dekasseguis em busca de oportunidades de negócios no Instituto Tomodati era de dois por semana, depois da crise, passou a ser de um por dia.
“Eles ficam, em média, 6 anos fora do País, então perdem informações sobre a economia brasileira”, afirma Suzuki. “Eles têm o dinheiro e 99% querem abrir o próprio negócio, mas falta conhecimento de mercado”, acrescenta.
Os modelos que serão apresentados pelo Tomodati serão de negócios alternativos às franquias existentes, embora Suziki não queira revelar em que ramos de atuação serão lançadas as microfranquias. O objetivo é assegurar o sucesso do negócio com a menor taxa de concorrência no segmento escolhido. Suzuki estima em 30 mil o número de dekasseguis que retornaram ao Brasil desde o início da crise financeira mundial.
Do zero
Milhares de brasileiros perderam o emprego no Japão desde setembro de 2008, quando teve início uma das piores recessões do país. No ano passado, a economia japonesa encolheu 5% e muitos dekasseguis foram dispensados. Foi o que ocorreu com Sérgio Takayama, de Nova Esperança, na região de Maringá.
Depois de quatro anos trabalhando na fabricação de baterias para a Sony, ele foi dispensado em janeiro de 2009. “As demissões não afetaram só brasileiros; na fábrica em que eu trabalhava, a maior parte dos que perderam o emprego eram japoneses”, conta Takayama.
De volta ao Brasil, ele precisou iniciar do zero. Em Maringá, Takayama passou a participar de reuniões no Instituto Tomodati e no Sebrae, para encontrar uma aplicação para as economias acumuladas em seus anos no Oriente. “Nunca havia tentado abrir meu próprio negócio. Sentia que precisava buscar capacitação para isso”, conta Takayama.
Para pessoas com o perfil do dekassegui, as franquias costumam ser o modelo mais eficaz de negócio. Com estrutura previamente planejada e experiência real no mercado, esses modelos de negócios, em geral, são mais seguros e com menor taxa de falência.
Após passar por cursos de capacitação, Takayama decidiu abraçar, em abril de 2009, uma franquia de purificadores da água e no início de 2010, abriu uma franquia de escolas de informática. “Procurei a opinião de vários consultores e escolhi segmentos em que há perspectiva de crescimento de mercado”, afirma Takayama.
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