Franquia: essa mania de usar marca alheia é um grande negócio
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Veja só: 80% das empresas brasileiras comuns fecham as portas antes de completar cinco anos. No setor de franquias, apenas 15%. Veja outro número: faturamento de R$ 63 bilhões e crescimento de 14,7% em 2009 sobre os números de 2008. Aqui, tudo é vantagem.
O último estudo do Sebrae Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas informa que no Brasil há perto de 4,5 milhões de micro e pequenas empresas, o que representa 98% das organizações nacionais. Entre os franqueados, mais de 90% são pequenas empresas, quase todas dos ramos de comércio e serviços; 60% delas têm menos de dez anos e 93% dos franqueados abrem franquias com recursos próprios. Oitenta por cento das empresas comuns fecham em cerca de cinco anos; entre as franquias, só 15% perecem. Então, franquia é um bom negócio. "Sim, é uma boa opção", diz Ricardo Bomeny, presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF).
É que a franquia, ou franchising -modo de negócio que começou com a indústria de máquinas de costura Singer nos anos 1850 e se desenvolveu cem anos depois com McDonald's, 7-Eleven e Dunkin Donuts -, diferentemente de um negócio próprio, oferece uma série de situações que, diz Bomeny, são vantagens difíceis de encontrar em outros modelos. É uma visão consolidada nos 23 anos da ABF no mercado brasileiro.
Em primeiríssimo lugar, a melhor vantagem é o fato de se associar a marca já bem conhecida. É diferente oferecer ao público a lanchonete do Zé ou o McDonald's, a loja de rosquinhas do João e a do Dunkin Donuts. Não é uma questão de qualidade. Os sanduíches do Zé podem ser ótimos, assim como as rosquinhas do João. O importante, aqui, é o nome famoso que significa confiabilidade.
E, mais, o franqueador pode oferecer métodos profissionais de gestão e treinamento. O fato de fazer parte de uma rede coloca o comerciante novato em condições de trocar experiências com gente que conhece mais do ramo. Tudo isso reduz o tempo de implantação, o que significa investir menos (ou com mais racionalidade) e ganhar dinheiro mais rapidamente. Além disso, o franqueador pode ajudar nas negociações de pontos comerciais e facilitar a compra de mercadorias. Há uma cumplicidade entre franqueador e franqueado, uma conspiração em favor do sucesso. "Enfim, quando se entra numa franquia, entra-se em algo que já foi testado. Por isso, a taxa de sucesso é maior. A mortalidade é mínima", diz o presidente da ABF.
Royalties e fundo de marketing
Para ter essas vantagens da marca, do apoio e das compras há, em contrapartida, obrigações bem definidas em contrato. O franqueado arca com os custos normais de um negócio e enfrenta duas obrigações incomuns para quem faz seu próprio comércio: os royalties e o fundo de propaganda. Estas taxas são, respectivamente, a remuneração do franqueador e o fundo para promoção da marca, que afinal resulta em benefício para o comerciante.
Segundo Cláudio Luiz Miccieli, diretor executivo da rede de lanchonetes Giraffa's, os royalties são como um "investimento que os franqueados fazem coletivamente para sustentar a operação da empresa franqueadora, visando a constante melhoria dos padrões, serviços e produtos da rede". Já o fundo de marketing é usado para custear o fortalecimento da marca junto aos diversos públicos envolvidos: franqueados e demais investidores, consumidores, órgãos de defesa do consumidor e formadores de opinião.
Em muitos casos, esse fundo de promoção é administrado em conjunto com os franqueados. Sem dúvida, admite Rodrigo Abreu, vice-presidente internacional da ÃlphaGraphics, o custo maior para franqueados será o dos royalties. Em compensação, os comerciantes vão economizar em compras de insumos e partilhar tecnologia.
QUE RAMO ESCOLHER
Existem no País hoje 1.643 marcas franqueadoras, segundo os últimos dados, do ano passado. O faturamento foi de R$ 63 bilhões. E o segmento cresceu 14,7% em 2009 sobre os números de 2008; O setor fechou 2009 com 80 mil pontos de venda, crescimento de 11%. Oferece mais de 700 mil empregos diretos. Entre os 13 subsetores definidos pela Associação Brasileira de Franchising, nenhum domina, mas a alimentação é certamente um dos mais importantes, com participação próxima de 20%.
A maior franquia, entretanto, é do ramo de cosméticos e perfumaria: o Boticário, que tem 2.815 unidades. A primeira de alimentação (quarta no geral) é a lanchonete McDonalds, que administra 1.291 pontos no País. As escolas têm boas posições no ranking brasileiro: Kumon (1.599 unidades) está em segundo lugar; Wizard Idiomas (1.246), em quinto; Fisk (997) em sétimo.
Para escolher o seu ramo, aconselha Ricardo Bomeny, da ABF, o candidato a franqueado tem de fazer uma autoavaliação, verificar se está entrando no negócio que ele quer e gosta - o que depende de um projeto pessoal de vida. É preciso dedicação para conseguir bons resultados e rápido retorno sobre o investimento. Ter alguma experiência anterior é desejável, mas não indispensável. Pela lei brasileira do franchising é obrigatório que o franqueador ofereça a Circular de Oferta de Franquia, com todas as informações sobre o negócio e a empresa franqueadora.
O importante, diz Bomeny, é verificar o negócio em si, há quanto tempo existe, se é bem sucedido e, acima de tudo, se os demais franqueados estão satisfeitos a ABF recomenda conversar diretamente com quem está há mais tempo no mercado. Nesses termos, sem dúvida, a franquia é mesmo um bom negócio.
Diário do Comércio

















